Olinda Paula na 1ª Pessoa

Quando morava nas Barrocas, perto da EPA, costumava prestar atenção ao movimento dos jovens; alguns mais rebeldes que incomodavam os vizinhos por fumarem e beberem nas entradas dos prédios, por onde se  sentavam ruidosamente e onde deixavam as embalagens vazias dos chocolates ou dos sumos. O tempo foi passando e estes hábitos forem sendo, paulatinamente, corrigidos.

Tinha uma grande admiração pela dinâmica daquela instituição. Qual seria o “ segredo”? Por mais que comparasse com  as escolas por onde tinha passado, esta superava tudo. Como era possível fazer tanto e tão diversificado, com alunos aparentemente mais displicentes?

Quando havia lugar a atividades no exterior, gostava de observá-las, se não mesmo participar nelas. Eram abertas à população e gostava de ver as alunos a interagir com a pessoas que por lá passavam (a minha neta foi uma das privilegiadas, pois teve os cabelos entrançados pelas alunas de um curso de cabeleiro, por exemplo, ou a cara pintada por outras).O mesmo se passava com conferências e tertúlias. Fi-lo com muito gosto, prazer mesmo, tendo tido a honra de conhecer,  pessoalmente, pessoas que já vinha admirando de longe.

Talvez pelo facto de ser presença assídua, uma dia o Doutor Jorge Castro, no final de uma dessa conferências, convidou-me a, de alguma forma, dar o meu contributo, mesmo que modesto, à EPA. Já me encontrava aposentada de professora de língua portuguesa e tinha experiência de ensino no Centro Educativo Dr. Alberto Souto. Ele sabia-o, já tínhamos falado do assunto. Eu tinha gostado daquele registo, o desafio tinha sido muito gratificante. Tinha saudades e tempo disponível. E aceitei contente e entusiasmada.
Faz agora dois anos, pelo que estou no terceiro ano letivo.

Assim, nesse primeiro ano, perguntaram-me se gostaria de lecionar língua portuguesa às voluntárias estrangeiras que se encontravam a colaborar na EPA, uma vez que a professora com quem estavam não tinha possibilidade de continuar a dar apoio por motivos particulares.

Foi assim que conheci jovens de diferentes países que, ao abrigo do Serviço de Voluntariado Europeu, exerciam funções na AEVA. Duas vezes por semana encontrávamo-nos e trocávamos experiências. Sim, porque eu ajudava-as na língua e cultura portuguesas, mas elas ensinavam-me muito sobre a cultura dos seus próprios países. A nossa aprendizagem foi recíproca. Não sei quem aprendeu mais com quem. Foi uma experiência maravilhosa.

No segundo ano comecei a dar apoio na sala “ Inteligências” (continuo sem saber com está escrita esta palavra à entrada da sala). Aí, senti-me como “peixe dentro de água”, era mesmo aquilo que eu conhecia tão bem. Tentei fazer o melhor que sabia, não só ajudar os alunos a aprender a estudar mas, acima de tudo, a ensiná-los a sentir quão bom é aprender e ter curiosidade em ir mais longe; em suma, dar-lhes uma perspetiva diferente da escola.

Ainda durante o primeiro período, foi-me novamente colocada a hipótese de voltar ao ensino da língua portuguesa às novas voluntárias, pela mesma razão do ano anterior – impossibilidade da professora voluntária anterior. E assim acumulei as duas funções com muito gosto.

Sentia-me  (sinto-me) parte integrante desta grande comunidade escolar: criei empatia com diversos alunos e tornei-me  grande admiradora dos seus colaboradores, liderados pelo enorme esforço e entusiasmo das pessoas que dirigem toda esta estrutura.

Estou neste momento com o terceiro grupo de voluntários europeus e alunos de Erasmos e continuo a trocar experiências a todos os níveis. A minha admiração por esta escola tem aumentado ao longo do tempo. Espero continuar a poder dar a minha colaboração a uma escola que admiro. Uma vez perguntaram o que é que esta escola tem de especial para ter tanto êxito? E eu, depois de refletir um pouco,  respondi:

-  Cumprimento rigoroso de regras por parte de todos e dos alunos em particular (um aspeto que vem sendo muito negligenciado nos últimos tempos na chamada escola normal, por razões que não vêm agora a propósito, mas que têm minado a relação professor/aluno/escola/família);

-  Respeito pelos alunos como seres diferentes que são;

-  valorização da responsabilidade, do  esforço manifestado e do sucesso alcançado;

- Empatia pelos seus problemas pessoais e apoio sempre que se considere pertinente;

- Gostar daquilo que se faz e acreditar que se pode fazer diferente.

Olinda Paula

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