João Correia na 1ª Pessoa

Serviço Voluntário Europeu – Uma experiência na Islândia

A 27 de Abril de 2014 embarquei numa viagem escaldante a um país gelado, a Islândia. Nunca imaginei que algum dia iria visitar este país que apenas me parecia uma ilha longínqua perto do círculo polar ártico com uma capital impronunciável. No entanto, estava numa fase da minha vida à procura de oportunidades e desafios. E que maior desafio este de passar 5 meses na Islândia?!

A oportunidade de embarcar nesta experiência surgiu uns meses antes quando me encontrava à procura de emprego e encontrei um anúncio de uma oportunidade de voluntariado de 5 meses na Islândia na área do ambiente. Tendo terminado recentemente o mestrado em Engenharia do Ambiente achei por bem investigar um pouco mais. Fiquei então a saber que este era um projeto EVS e que a experiência seria liderar grupos de voluntários de todo o mundo, a realizar projetos de duas semanas em quintas, reservas naturais, eventos culturais, etc. Não sendo aquilo que estava exatamente à procura, o desafio fascinou-me.

Algum tempo depois estava então a bordo de um avião com destino a Keflavik, Islândia.

O choque cultural que se tem quando se viaja para outros países é bem conhecido por todos e assim que aterrei na Islândia o senti. Primeiro, foi um choque térmico. Habituado a temperaturas primaveris deparei-me com um frio gélido e ainda uma quantidade enorme de neve a cobrir grande parte das montanhas da paisagem islandesa.

Depois, foi o contexto em si. Estando a trabalhar para uma organização que recebe voluntários de todo o mundo e que os próprios funcionários são voluntários de longa duração... de todo o mundo, maior choque cultural seria impossível de se criar. Mas o desafio estava lançado e eu estava preparado.

A organização com que estive a colaborar chama-se SEEDs e trata-se de uma ONG que organiza workcamps, programas de 2 semanas de voluntariado por toda a Islândia onde qualquer pessoa se pode candidatar. Possibilita uma experiência muito diferente de umas férias típicas passadas em hotéis e seguindo roteiros turísticos, permitindo uma experiência intercultural única e ao mesmo tempo a realização de trabalhos em prol dos outros. A minha tarefa dentro desta organização já estava traçada, ser workcamp leader. Como eu, éramos cerca de 15 voluntários, juntando outros tantos que trabalhavam no escritório da SEEDs, conduziam as viaturas da organização e geriam as habitações que esta mesma tinha em Reiquejavique. Todos eles de variadíssimos países da Europa. De facto, dentro da organização, apenas uma funcionária é Islandesa (à data). O próprio fundador é Colombiano. Todos os voluntários dividiam dois apartamentos, no centro da cidade.

No entanto, o tempo que passámos juntos não foi assim tão grande, dado que a grande maioria dos worcamps que a SEEDS organiza são fora de Reiquejavique espalhados um pouco por todo o lado, e nestes workcamps apenas participa um líder. E a cada duas semanas, com um intervalo de 4-5 dias em média, partíamos para uma nova experiência.

Portanto, a minha experiência foi extremamente variada. Participei em 8 workcamps, desde ajudar uma equipa artística a decorar um festival de música, ou a construir um recreio num campo de férias para crianças ou ainda, a construir trilhos em montanhas…

O que de fascinante teve esta experiência teve também a sua maior dificuldade. Foi absolutamente incrível conhecer todas as pessoas com quem tive oportunidade de trabalhar e liderar (pessoas do Japão, EUA, França, Espanha, Finlândia, Hong Kong, Israel,...) e poder viajar por todo este país que deixara de ser apenas uma ilha longínqua para passar a ser um dos locais mais bonitos que já vi e, seguramente, do planeta, onde o gelo se cruza com a lava, onde as montanhas são amarelas e azuis, onde há rios com água quente, onde o céu está à distância de um palmo, carregado de auroras boreais. No entanto, é uma experiência desgastante, estando sempre em constante movimento, sem nunca criar alicerces, onde as duas semanas com quem passamos com os voluntários de curta duração passam a voar, e em que num espaço tão curto de tempo passamos de perfeitos estranhos a verdadeiras amizades, e que acabam numa repetida triste despedida.

Foi uma experiência a todos os níveis inesquecível, e a todos os níveis desafiante. Permitiu abrir novos horizontes, novas ideias e ideais, novas amizades. Terão sido os 5 meses mais inesquecíveis que já vivi. Aliás, estive numa ilha longínqua perto do circulo polar ártico com uma capital impronunciável…

João Correia

 

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